Luís M. S. Brás - Nascimento 18-04-1964 - Naturalidade – Estoril - Lisboa – Portugal. Nasci e vivi uma infância feliz nesta terra linda, banhada pelo Mar, nesta baía onde há 500 anos os Portugueses partiram para o mundo.
Cursei Tecnologias Mecânicas, Desenho de máquinas e Desenho Técnico. Desenvolvi ainda a minha paixão pelo desenho e pela pintura. Durante anos dediquei grande parte do meu tempo livre e também como hobby a essas actividades (dedicava-me especialmente ao pastel e aguarela).
Outra actividade que suscitava o meu acrescido interesse era a arqueologia. Lá passava eu as minhas férias escolares, picareta nas mãos a escavar em busca de fósseis e outros achados arqueológicos, interesse este que se mantém até aos dias de hoje.
Já numa fase mais intermédia da adolescência, lá veio a música, violão, um pouco de piano e movido pela curiosidade os instrumentos tradicionais da música portuguesa (Guitarra portuguesa e Acordeão).
Com a vida profissional diminuiu o tempo livre para todas estas actividades, pelo que tiveram de, embora sempre presentes, ser mais condicionadas. E então, sem sair de casa… aquariofilia. Dediquei-me á criação e fomentei até a divulgação de algumas espécies de peixes (sempre tropicais), numa altura em que este ainda era um hobby pouco comum.
Profissionalmente exerci sempre actividades relacionadas com a ferrovia na qual sou supervisor de tráfego na Rede Ferroviária Nacional. Eis que mais uma vez na vida surge uma nova forma de encarar a vida. Aquilo que sempre tememos ou receamos (um problema de saúde “E.M”). Condicionou a minha actividade física, que tenho agora de moderar, diminuiu alguma sensibilidade que assim me obrigou a trocar de hobby, algo que sempre necessitamos para nos sentirmos vivos.
Tive de colocar de lado a música, a pintura e o desenho. Aí, impulsionado por uma amiga, que comigo partilha o gosto pela leitura, nomeadamente pela poesia, (escreve lindamente, mantém um blog de poesia) comecei á um ano atrás a transformar aquilo que até aí apenas figurava no meu círculo de preferências como “ o prazer da leitura” pelo “ prazer da escrita”.
Aqui estou eu; Comprometido, pai de 2 filhos já adultos, ambos estudantes universitários: Que não sou escritor; Que não sou poeta; Que me limito a colocar por escrito alguns dos sentimentos que trespassam a minha alma no blog que criei para o efeito, que começou como desafio pessoal e que acabou por ter continuidade como sendo um desafio interior ao meu querer, ao poder fazer.
É uma forma de poder diariamente convencer as minhas faculdades mentais de que querendo… conseguem! E como apenas escrevo há 15 meses continuo convicto que apenas pode ser um equívoco. Perdoem-me a ousadia e fazendo-o, obrigado por me aceitarem neste vosso círculo cultural.
Canto estrofes à minha amada e lanço aos céus,
Evoco nelas, sem perjuro, os meus amores.
Vendo ascender no firmamento, como um Deus,
Um Arco-Íris, cintilante, de mil cores.
Incendeiam-se em minha alma os meus desejos,
De teu cálido e suave aroma a rosas,
Acendendo a paixão, por entre bocas sequiosas,
Refrescado pelo hálito fresco dos teus beijos.
Nesta distância impessoal de cada verso,
Traço estrofes de amor em cada rima
E nelas, apaixonado, faço de ti meu universo.
E no brilho mágico do teu olhar,
Assevero eu, meu amor, sem condição,
Ser feliz, só por te amar, meu coração.
Luís B.
Uma Só Canção
Eu bem sei, meu querido amor,
Que nós dois, não passeámos.
Entrelaçada mão, sentindo nela o calor,
Com o qual ambos sonhámos.
Nossos beijos, nunca são esquecidos,
Este desejo de amar, é permanente…
Beija amor, calorosa, os meus sentidos.
Contigo, eu quero ser feliz…eternamente.
Espreito os teus olhos, lindos… E miro a luz,
Vejo neles, na paz no amor e na magia,
O segredo da paixão, que a ambos nos conduz.
Diz-me tu minha musa, que me queres demais,
Promete-me o teu Éden que eu tanto busco
E conduz-nos aos dois, pelos trilhos onde vais…
Luís B.
Linda Tu
Linda tu...
Nesse colorido rosa mármore
Que desnudado na alcova,
Eu surpreendi dormindo!
Linda tu...
Emanando essa luz quente
Que como o sol matinal,
Já despertou sorrindo!
Linda tu...
Que meu olhar seduziste
No ondular suave dos seios nus,
Num contraste lindo!
Linda tu.
Face do prazer, inusitado reflexo
De sexo lânguido e desejo,
Depois de findo!
Linda tu...
Na comunhão de puros gozos,
Que bendiremos e iremos
Conjuntamente...repartindo.
Luís B.
O Teu Sono
Enquanto te abracei no teu leito perfumado
E tua cabeça loura no meu peito reclinavas,
Senti em mim teu aroma e no carinho do afago,
A convicta certeza que comigo tu sonhavas.
Eu lá fiquei, olhando-te bela e ao adormecido
Brilho suave que emanava do teu leito,
Numa nudez cálida que me deixou seduzido
Fazendo inflar de desejo este meu peito.
Dorme anjo da paixão, concede-me o calor
Que neste peito incendiará minha ternura,
Fazendo meu coração explodir num clamor.
Aguardo ansioso teu acordar, evoco com fervor
Esse momento mágico, em que chegará a altura
De finalmente partilharmos juntos nosso amor.
Luís B.
O Brilho Suave No Teu Olhar
Ecoa deste viver sempre um recomeço que:
Ao mover-se, incendeia desejos mais profundos
E aceso, cintila a meus olhos, neste encanto de
Te mirar rodopiando feliz por outros mundos.
Neles percorres águas límpidas, sondas fundos,
Recusando os persistentes ecos mais imundos.
Anseio também que a cada novo amanhecer,
Vagas de alegria e felicidade ganhem vozes
E com o brilho do sol no teu olhar, possas ver
Iluminados e suaves, os trilhos em que corres.
E é aí nesses caminhos que pretendes percorrer,
Que permanecerá eterno, o perfume do teu ser.
Luís B.
VEM!!...Para mim…
Meu coração que dentro de mim,
Qual rouxinol, canta, canta,
Entoa radiante, melodias sem fim,
Neste tom, doce, que me encanta.
A ti, eu dedico o meu carinho,
Tu, princesa, minha musa inspiradora,
Serás a pomba branca do meu ninho,
Apoderando-te da minha alma que t'adora.
Pensando neste amor eu só te digo,
Vem, junta-te a mim, canta-o comigo,
E apaixonado, faz-me sentir o teu poeta.
Cuidando ambos do que são os nossos sonhos,
tornarnos-e-mos sempre, cúmplices risonhos,
Fazendo ambos, da felicidade a nossa meta.
Luís B.
Canteiros do Nosso ÉDEN
Queria passear-te no parque de Fortaleza,
Onde ecos da minha poesia, serpenteando
Ao longo dos jardins, com toda a firmeza
Te beijem, em cada estrofe que te mando.
Nesses canteiros floridos de mística pureza
Lá! Onde os passarinhos vivem chilreando,
Canções de amor resplandecem na beleza
De belos canteiros de rosas desabrochando.
Coloridas as flores, verdejantes os raminhos,
Das árvores e flores que ladeiam os caminhos
Nessa passagem que para ti guardei secreta.
É lá que eu guardo meus carinhos de cetim,
Zelosamente cerrados para ti e para mim,
Desde que neste amor por ti cresci poeta.
Luís B.
Saudoso Coração
Concedemo-nos a aliança
Da partilha e já sem medo
Dum olhar, que sempre ledo
Transportarei na lembrança.
Agora longe, restou a esperança
Que eu tristonho, num degredo
Cultivo e conservo. Um segredo,
Na doce espera da bonança.
Oh! Memória... que soluça por ti,
Quando te pressinto aqui
Mesmo sem falarmos nada.
Oh! Alma...que agora hiberna,
Aguardando ansiosa e terna,
Junto a mim, tua chegada.
Luís B.
A Luz do Teu Sorriso
Olhando-te assim bela e á luz do teu sorriso,
Cresce em meu peito um colossal contentamento,
Florescendo puro, em mim, tamanho sentimento,
De me sentir, aqui na terra, mirando o paraíso.
Desenho um verso, sem medida, alegre, brando,
Lanço-o ao teu rosto, gentil e nele eu vejo,
A acendalha no olhar, que faz brilhar o teu desejo,
De escutar apaixonada, a canção que estou cantando.
Em minha alma, um tal prazer conduz meu porte,
Tão só me basta e ao meu olhar, eu poder ver-te,
E afirma como justo, o anseio de aqui ter-te.
Nesta paixão que me preenche e me faz querer-te,
Em que, para contente, me bastará tamanha sorte,
Incendiará em mim, dessa forma, amor tão forte.
Luís B.
Esse Mar, Meu Destino
Olho-te mar calmo, que me seduzes, despertas,
Acordas os meus sentidos e os guias devagar,
Ao encontro espumado dessas ondas que lhe ofertas.
Para elas dirijo meus passos, para ti o meu olhar.
A ti mar, ao vento, a náufragos e navegantes,
Queria eu cantar alto tristezas ou alegrias.
Incendiar na alma a centelha que por instantes
Flameja em meu olhar, despistando nostalgias.
Anseio aquele dia em que ondas iradas ou revoltas
Como quimeras rebentando o rejuvenescido vigor,
Trarão barcos cheios de histórias, páginas soltas,
Quais Lusíadas estrofes, com novas de meu amor!•
E se por esse meu bem, só e tristonho eu já suspiro,
Expressando em poema lamentos dessa ansiedade,
Também nesta ânsia, em meu pobre coração aspiro
a, no calor do seu regaço, afagar esta saudade.
Luís B.
A Alma Num Espelho
Os reflexos do olhar são como um espelho,
Exibem puras, as verdades do nosso sentimento,
Nós, cuidadosos, tentamos resguardá-las,
Libertar dessa imagem os assomos de tormento.
Vejo esses olhos, neles a imagem que brilha
Exibe as certezas, sussurra encantamentos.
Revelam-se, numa verdade que se partilha,
Manifestos vislumbres de alegria e sofrimentos.
Espelhado guarda, da troca de beijos sensuais,
Sonhos, que felizes se espalham à sua frente.
Esconde ainda, fiel; promessas que segredais.
Se no reflexo um olhar revela o que se sente,
Ali, se refugiam as paixões, os vendavais,
Nesse cofre, que cioso, os guarda fielmente.
Luís B.
Amor Perfilhado
Meu amor por ti, é como um filho,
Que desejo acarinhar, desde menino.
Surgiu risonho, abençoando este meu trilho,
Marcando de paixão a roda do destino.
Vai ser amado, bem sei que vai,
Porque nascido de nós ele já tem,
Na beleza serena, a luz de sua mãe,
e poética, na alma, a prole de seu pai.
De mãos dadas, percorremos os caminhos,
Na Via-Láctea que compõe nossos destinos,
Partilhando juntos, esta aventura, como meta.
Guardo agora, teu amor, aqui no coração,
Perfilho-o meu e guardo-o com paixão,
Desde que, para ti e por amor, me fiz poeta.
Luís B.
Amo-te
Olha-me nos olhos, diz-me que me amas,
Para mim tudo revela a emoção,
Agora! Quando por momentos tu exclamas,
As palavras mágicas, para o meu coração.
Durmo nos teus braços, sem estares presente.
Amo-te e culpo-me sempre pelo facto,
De me sentir sozinho, sempre carente,
Do teu cheiro amoroso, que purifica meu olfacto.
Os minutos passam, a asfixia aumenta!
Porque sofro a amar-te, por não estares aqui!
Esta lembrança da tua imagem, que me alenta,
Por favor, beija-me, quero-te sempre e só a ti !
Em busca de conforto, escrevo estas palavras,
Fazem-me recordar a face que reclamo,
Neste mundo, onde as emoções são guardadas,
Neste sonho perpétuo, em que, feliz, eu te amo.
Luís B.
Borboleta Dourada
Alegro-me ao olhar-te,
Tu; minha flor,
E no teu esvoaçar,
Delicio-me com tua cor,
Percebo ainda,
Tua inquietude no ar.
Vai; meu amor,
Voa borboleta linda,
Tens tanto a esperar.
Sonho em ti, dormindo,
E em teu corpo colorido,
Acordo! Sorrindo.
Neste despertar, aqui,
Eu; não te vendo,
Chamo por ti.
Recordo então,
Que o meu coração,
Te quer! E assim,
Afirmo, que querendo,
És tudo para mim.
Luís B.
Vou
Vou,
Acercar-me de ti, procurar o teu calor,
No meu corpo, sentir em mim o teu ardor,
Partilhar, num êxtase, toda esta paixão.
Vou,
Dividir-me contigo, neste amor fecundo,
Paixão crescente, dividindo nosso mundo,
Fazer, deste amor, nossa canção.
Vou,
Beijar teu colo, num completo despudor,
No carinho de um afago, expressar-te o meu amor,
Incendiar, nas chamas do teu regaço, o coração.
Vou,
Colher delícias do teu corpo que eu tanto quero,
Sentir a ternura que me dás e que tanto espero,
E acolher-te em meus braços numa comoção.
Luís B.
Minha Estrela
Busco desde sempre, nos céus, a minha estrela,
Ausculto os anjos, que ma garantem reservada.
Já longas noites me levantei, alta madrugada,
Perscrutando o horizonte ansiando vê-la.
Ainda evoco em meus sonhos a visão dela,
Ansiando receber como troféu sua chegada,
Lanço a alma aos céus, percorre-os esperançada
Em que, quando a encontrar, poderei tê-la.
Oh! Desejo meu, ver reforçada em ti a confiança.
Ao desespero, quando o houver, move guerra,
Não permitindo assim o exaurir desta esperança.
E quando um dia a encontrarmos, céu ou terra,
Onde for; daremos vivas! Louvaremos a bonança
Desse encontro, que nesta paixão já se descerra.
Luís B.
E quando o Desalento
se Apodera do Sentimento?
Oxalá!
Choro teus carinhos que anseio e que não vejo.
Sinto-os, em suave brisa, trazidos pelo vento.
Procuro segurá-los, sopram-me silencioso beijo,
Passam fugazes, desprezando o sentimento.
Apenas me restou do infortúnio, este tormento,
Esta saudade de teu amor que em mim elejo,
Neste sofrido coração, quando nele te revejo
Como aquela que em mim, apagaria o sofrimento.
Oxalá tu, minha flor, me concedas o momento,
Em que tuas pétalas floridas desfolharei sem pejo,
O que neste peito, renovará meu alento.
Oxalá eu, veja finalmente realizado este desejo,
de, a teu amor me dedicar, imprimindo alento
A esta doce paixão, que em mim almejo.
Luís B.
Rejeição... (Desilusão)
Dias mil, que sem vós, tristonhos me parecem,
Neste choro amargo, de vos perder em minha vida,
Dias, que sem vós, me enjeitam e entristecem,
Dessa falta esquiva, se por certo, já perdida.
E se pena por amar-vos, entendeis que já mereço,
Castigai-me já, duramente, com a dor do desespero,
Mas não façais, vós de mim, um vil tropeço,
expurgando cerce todo o amor que vos quero.
E se o desprezar cru, a mim também me enjeita,
Deixar-me só, esquecido e ausente, dessa vida,
Nem sinto tristeza, pois que vós fostes perfeita,
Nem tornarei funesta, tal lembrança, por perdida.
Urdido destino, que consagrando este desvelo,
Mortifica, em transe, o coração, num desagrado,
E carpindo minhas mágoas, emite mordaz apelo,
Que se confunde num rouco, dilacerante brado.
E assim, deserdado da paixão, por vós me vejo,
Neste estado de amargura febril, penoso auguro
desta vida, de pesados grilhões, onde sem pejo,
Prometido tenho, meu triste fado, no futuro.
São estas trevas que enlutam a minha natureza,
E fustigam a minha alma de forma dolorosa,
Que dispersam da desventura a incerteza,
De carpir o meu destino de forma lamentosa.
Persuado-me e em peleja buliçosa eu assevero
À minha alma, presentear com nova bonança.
Ansiando vossa presença junto a mim, eu espero,
Suspirando essa ausência, inflar esta esperança.
Luís B.
Ecos de Solidão
Sinto-me só e a esta condição subjugado,
Transcrevo sentimentos, na minha poesia,
Nela evoco, quais murais do meu passado,
Furtivos ecos dos dramas que eu temia.
E, por momentos, o que aqui escrevo,
Revela, estrofes feitas, tudo num acervo.
Obtenho, neste acto de escrever, um tal vigor,
Que, ao colocar em verso o que pressinto,
Vou enumerando e descrevendo este estertor,
Que me impele a dissertar sobre o que sinto.
E assim, nesta emoção de poemas escrever,
Manuscrito, vou reafirmando o meu viver.
Descrevo a vida, dos pensamentos faço eco,
num simples poema, evoco meus temores,
E após molhadas ilusões, embarco seco,
Em nova viagem, nova busca de amores.
Amores que, se bem-vindos, farão até,
Quando encontrados, na felicidade fazer fé.
Luís B.
Oximoro Existencialista
Oh! Vida, tu
Que na existência pões desafio
Amargos prazeres...doces tormentos
E nesse interlúdio...os sentimentos,
E eu? Quais procuro? Em quais me fio?
Oh! Vida, tu
Que como folha caída em seco estio
Esvoaças no ar, levada p'lo vento
Qual flor silvestre, num momento
Seca pelo sol, noutro enrugada p'lo frio.
Oh! Vida, tu
Quando te recordo num momento,
Escuto ecos do passado,
De esperança no presente...eu tremo,
Já do futuro, desconheço a sua traça.
Oh! Vida, tu
Chama o destino (alinha-o a meu lado),
Mostra-me o teu querer supremo
Dispersa a tristeza do meu fado
E dá-me um ar da tua graça.
Luís B.
Meu Amor…Minha Dor!
Neste desejo de esquecer-te, eu, sem jeito,
Continuo lamentando ver-te, no desgosto
Desse sorriso que perdura no teu rosto
E dessa dura indiferença no teu peito.
E se neste mal em que o meu defeito
É prosseguir da rejeição caminho oposto,
Renego-o! Porque no amor o pressuposto
É furtar-me à imperfeição de estar sujeito.
Vou submetendo assim minha natureza,
Perseguido por esta paixão tão ilusória,
Que me faz sofrer por tais amores.
Este feitiço, que delapida minha beleza
E que me impõe já, ter só por glória,
Um destino fatalista de tais dores.
Luís B.
Os Bardos Trovadores
Sons que emito...breves e dispersos
Em gritos breves...roucos sons,
Aqui eu manifesto meus versos,
Sejam eles maus...ou bons.
Outros ainda, quais bardos travessos,
Cantam afoitos e noutros tons
Contam histórias, esgrimem versos,
Compõe em estrofes...outros sons!
E se falo de sentimentos, de tristezas.
Ou de mágoas ainda acesas,
De desalentos que são meus...
Canto apaixonado meus amores,
Relegando desenganos... dissabores,
Para os julgamentos de Deus.
Luís B.
Desalento
Oh! Como te excomungo aqui, maldito fado,
Neste cansaço de ter sofridamente
De enfrentar, combater este cruel enfado,
Em que se tornou o estar doente.
Ah! Esclerose malvada, que me enfermas,
Que em mim espalhaste teu mal, profundo.
Tu! Que nunca me lanças palavras ternas.
Tu! Sorte vil! Que me persegues neste mundo.
Esbarrei aspirações, anseios, nesse muro,
Que este execrável destino me ofereceu,
E que, mesmo sem se anunciar, eu já aturo.
E enquanto meu sonhar, desiludido, já pereceu,
Farei ainda da tolerância destino, desse futuro
Que, mesmo sem ser desejado, se fez meu.
Luís B.
Amordaçado
Escuto no vento que passa o sarcástico murmurar,
Que vindo do longínquo horizonte jura encantos.
Entoa vivas odes. Argutas formas de chamar,
Alimenta-se na tristeza destes meus prantos.
E se por escutá-lo silvando, decifro a solidão
Que de longe ao meu encontro estreita o passo!
Já me afronta, martiriza meu pobre coração,
Esta vil tentativa de se imiscuir no meu espaço.
MMMmmmm!...............................................,
MMMmmmmmmmmmmm!........................,
MMMMmmmmmmmmmmmmmmmmmm.
Oh! Torpe! Que meu sentimento aprisionas.
Oh! Infame! Quando meu falar amordaças.
Não me tentes! Nem ouses impor desgraças.
Luís B.
O Espelho da Alma
A estrofe que lanço nem sei se é verso
É mais um canto, quiçá seja um sorriso
Ecos do coração num toque que desfiro
Espelho da alma em que aqui me disperso.
Lamentos que do destino faço, se adverso,
No sangue que verto, de mim mesmo o tiro,
Fábulas de criança, sonhos em que deliro
E em que desde criança me sinto imerso.
Tempos de juventude...Oh! Que saudade
Dessa adolescência, dessa doce mocidade
Cheia de ilusões, esperanças coloridas.
Depois as decepções, os ais, os desenganos
Que foram demonstrando durante estes anos
Desejar convicto querer perseguir outras vidas.
Luís B.
Poeta … Sim!!!
Mesmo que me encham de grilhetas,
Prender-me, silenciar a minha poesia,
Não abandonarei ideais nem poetas,
Nem de, aqui, demonstrar esta euforia.
Não deixarei, com palavras de ''detesto'',
De enaltecer, cantando, essa virtude,
Afirmar-me, neste exprimir sempre lesto,
Mesmo ausente, aquele alguém que ajude.
Acorrenta-me esta paixão, torna-se um elo,
Abraçando-me, aconchega-me em seu seio,
Anuncia-me, coloca nas estrofes o meu selo.
Assim se revelará neste verso que vou fazendo,
Mostrando aos vossos olhares que belo ou feio,
Será apenas, colorir em poema, o que entendo.
Luís B.
O Desconsolo no Olhar
Olhar choroso, num lamento mais sentimental
Que o leve e suave murmurar do veio de água.
Aqui só e lançada ao crepúsculo, esta mágoa,
Num lento desconsolo, permanece intemporal.
Dilui-se, apaga a espuma das lágrimas no olhar,
Triste, como o ocaso do Outono numa folha,
Cinza e ouro, como Por do Sol, que sem escolha
Desvanece ao longe da vista, escapando devagar.
E aqui estou eu, num saudosismo permanente,
Um lacrimejar constante, onde nos olhos arde
A nostalgia triste desse colorido poente.
Aqui me disperso e mesmo a alegria ausente,
Preencho a manhã, relembro desamores e da tarde
Faço, no eco dos meus prantos... confidente.
Luís B.
Recordação…
Aqui estou eu, vagueando na cidade,
Perseguindo nela o meu caminho estreito.
Nele nasce, vive e morre a felicidade,
Agora oca, ensombrando o meu peito.
Vou-me assim, só, sempre pensando,
Que, se na triste rua onde vivia,
Estando eu, presente, até quando
De lá, irromperia a minha poesia.
E hoje, há tantos anos, aqui morando,
Lembro que, neste lugar assaz sombrio,
Eu e ele, soturnos, íamos falando,
E satirizando nosso destino ao desafio.
É lá, só, naquele espaço frio,
Paredes nuas, num espaço estreito,
Que eu vou, de coração só e vazio,
Libertando, a tristeza do meu peito.
E é esta saudade que me apunhala,
E silenciada, ameaçando-me possessa,
Que faz despertar, em mim, a fala,
Escrita, em cada verso que regressa.
Luís B.
Crepúsculo
Sinto o anoitecer caindo,
O dia, afirmar -se na ausência
De fogo e cores.
Sinto já a chegada do silêncio
Tornando, a doce Ópera do ocaso,
Num dilacerante pranto.
Sinto, neste definhar desavindo
Que o dia não evita,
A noite reforçar a sua essência,
Espraiando seus temores.
Sinto, vendo o horizonte raso,
A noite tornar-se proscrita
E o anoitecer, espalhar seu manto.
Abraço a recordação deste dia e pressinto,
Numa ardência inaudita,
A vontade de relembrá-lo...mesmo extinto.
Luís B.
Ocaso da Alma
Pelo bosque dos sonhos noite e dia,
Penetra sempre errático meu pensamento
E nessas zonas lúgubres, do esquecimento,
É levada errática, célere (crente) a fantasia.
Dou passo lento na penumbra… a névoa é fria
E é neste mundo selvagem, que domina o vento,
Onde o meu queixume e sentimento
Já nem no vislumbre da nova noite grassaria.
Que razões são estas que me enlouquecem?
E que nos jardins do Éden verdejantes
Galopando meus sonhos, se animam e reaparecem?
E dentro do meu coração é ora o momento,
De ruir algo, fatalidade (sina), ou cataclismo,
Despenhando tudo por fim, num colossal desabamento.
Luís B.
Palavras de Amor
Quando as palavras nos enganam,
Ainda que jurando a verdade.
Terão, na face, olhares que profanam,
E dispersam ao seu redor falsidade.
Nesses ignóbeis dizeres, se proclama,
Num refrão, que alguém te ama.
E essas estrofes que por momentos,
Manipuladas num verso causam dor,
Revelam que esses falsos sentimentos,
Soçobrarão apenas no amor.
Renasce então em nova flama,
Nova canção, que pelo coração clama.
E, no querer deste amor, quando pura,
Se exprima a verdadeira emoção,
Servirá, no sentimento que perdura,
Como alimento pleno à paixão.
Luís B.
--- Dedicatórias Várias ---
Volta Poetisa Ausente
Volta, alegrando-nos no regresso á tua lida,
Derrotadas, ó bela, as feras indomáveis.
Ansiamos ver, nos teus versos reflectida,
A recordação viva destes tempos memoráveis.
A vida não passa, permanece, nem se conta,
Revive em ti, desejada pedra preciosa.
E até ao recordar dos deuses já remonta,
Evocar nas poesias, o florir lindo da rosa.
Voltarás, reflectindo em ti a luz do sol,
E naquelas estrofes, recordarás uma a uma,
As melodias imensas do cantar do rouxinol.
Olho agora, mirando nas ondas a sua espuma,
Evoco á paisagem, apelando ao Por do Sol,
O regresso, desejado, da rosa que perfuma.
Luís B.
Amor de Filho
Se sementinha que já fui e que de ti nasci,
Germinado pela magia suprema desta vida,
Tenho-te em mim, nesta fortuna que recebi,
Quando me foi (por ti), tal graça concedida.
Como é bom sonhar, ver no olhar a esperança,
sentir a tua alegria nesta inocência de criança.
Oh! Mãe querida, amar-te é bom demais,
No teu colo; ser amado, escutar, aprender.
Sentir o calor de teus afagos nos meus ais,
Partilharmos juntos a razão do meu viver.
Como é bom ser criança, o puro sorriso,
Ser amado e acarinhado, quando preciso.
Luís B.
Coração de Mãe
Chegaste tu...e meu mundo brilhou,
No meu mundo tu és, meu anjo...a flor,
Que ilumina meus dias, diz o que sou,
Preenchendo minha vida de esplendor.
Vejo ternura nesse olhar em que se apela
No iluminar desta vida, seres a minha vela.
Amor simples, puro, na doce rima
Dessa estrofe da vida em que desfio,
Em meu peito, este poema que fascina
E no coração o mapa com que te guio.
Terno e suave, neste carinho que por ti zela
E no distante horizonte faz de ti a sua estrela.
Luís B.
A Um pai... Todos eles!
Querido pai, da lembrança que deixaste
Fizeste, que dessa tua vida exaltada
fique, na memória, sempre recordada
Essa vereda, que nobremente pisaste.
Esse trajecto, essa escarpa que escalaste
E que a todos nos indicaste como escada.
Subi-la-ei também, farei dela minha estrada,
Honrando em ti lições que m'ensinaste.
Da nobreza da tua passagem pelo mundo,
Perdurarão pra sempre, na recordação,
Eternos ecos deste afecto tão profundo.
E ao recordar-te aqui, nesta emoção,
Restará sempre a certeza, cá no fundo,
Que elegeste como esquife meu coração.
Luís B.






















































